Amigas e amigos,
A poeta luso-brasileira Dalila Teles Veras (Ilha da Madeira, 1946) é bastante conhecida dos leitores deste boletim. Ela já esteve nesta
página nas edições n. 72 (2004);
n. 331 (2015);
n. 355 (2016); e
n. 537 (2024).
Agora, Dalila Teles Veras retorna, trazida pela publicação da plaquete Ínsulas, que acaba de sair pelo Círculo de Poemas.
Ínsula é um caderno com miolo de 40 páginas, dividido em três sequências de poemas: “Ínsulas”, “Infusões” e “Faces, fases”.
Na verdade, também se pode dizer que são três poemas.
Para este boletim, decidi selecionar o bloco “Infusões”, que vai ao lado. [No original, os textos não têm títulos. Mas, conforme
o leitor já sabe, aqui acrescento a cada um, à guisa de título, as primeiras palavras entre colchetes.]
Na plaquete, a autora usa uma epígrafe para o bloco “Infusões”. É um texto da escritora e artista plástica portuguesa Ana Hatherly
(1929-2015): “Estas pequenas narrativas, que pertencem à área do poema em prosa [...], são infusões e não efusões”. Portanto, daí
vem o título desta pequena coleção de textos em prosa de Dalila Teles Veras. [Curiosidade: observe que as pinturas ao lado são de Ana Hatherly.]
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Passemos à leitura. No total, são oito pequenas “infusões”. Em todas, a poeta descreve ações de mulheres, em seu dia a dia, no cuidado
com os filhos e a família. Na primeira, chova ou faça sol, as mulheres se movem e essencialmente defendem os filhos pequenos: “inventam
máquinas sugadoras de líquido e engolem o excesso para que o berço permaneça seco e quente”. Conclusão: “Mulheres são anfíbias”.
Na segunda “infusão” “[Constroem casas]”, as mulheres fazem essa construção “dentro de suas próprias casas”. Logo, “são engenheiras”.
No texto seguinte, plantam “uma árvore no intervalo para o café”. Além desse extremo dinamismo, controlam a ação de microclimas e
“resistem a todo tipo de intempérie”. Portanto, "são ambientalistas".
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Na quarta “infusão”, as mulheres se revelam “magas, estrelas-guias de si próprias”. A próxima conclusão é óbvia. Como sempre
atuam em diferentes campos ao mesmo tempo, as “mulheres são ambivalentes”. Até caberia dizer: multivalentes.
A sexta “infusão” contém ideias similares à anterior. As mulheres “seguram os filhos sobre a anca esquerda enquanto mexem o
mingau com a mão direita”. Daí não cabe dúvida: “Mulheres são ambidestras”.
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Restam agora as duas últimas partes. Na sétima “infusão”, “[Choram por dentro]”, descobre-se que as “mulheres são ilusionistas”,
porém apenas em certas condições. No final, “[Três mulheres tecem]”: trabalham com tecidos, rendas e bordados. São costureiras
e bordadeiras, mas com um detalhe: “sempre sob fogo cruzado”.
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As “infusões” de Dalila Teles Veras constituem um vibrante hino à existência sempre maiúscula das mulheres. Ave, Dalila. Ave, mulheres.
Um abraço, e até a próxima,
Carlos Machado
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LANÇAMENTO
O impressor
• Marcílio Godoi
O ficcionista e poeta Marcílio Godoi lança seu novo romance, O Impressor, que sai pela Editora Patuá.
Quando: sexta-feira, 06/03/2026, das 19h às 22h.
Onde: Rua Luís Murat, 40 - Vila Madalena - São Paulo-SP.
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