Amigas e amigos,
Mineiro de Pirapora, Luís Araujo Pereira (1946-) radicou-se desde a infância em Goiânia-GO. Formado em Letras
pela Universidade Federal de Goiás (UFG), também diplomou-se em Ciências Sociais na Escola de Estudos Avançados,
em Paris. Professor de Letras na UFG, foi também cronista e redator publicitário.
No campo da poesia, publicou Ofício Fixo (1968); Poésie Pour Dire Moins (2013) e Raso Quase Fundo
(2025). Nesta edição, o poesia.net apresenta poemas deste livro mais recente, produzido pela editora Cavalo Azul.
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Os poemas de Raso Quase Fundo, conforme se pode ler na folha de rosto do livro, foram escritos no período de 2013
a 2019. Para formar a minisseleta ao lado, pincei seis poemas. Vamos à leitura.
Em “Rua das Avencas”, o sujeito poético declara sua completa identidade com uma casa e todo o ambiente que a define:
“Esta casa sou eu / os passarinhos / as jabuticabeiras / os pés de jambo / as corujas os ipês / as abelhas /
— esta casa sou eu”. A identificação é tão grande que, conforme o narrador, casa e dono permanecem
sendo a mesma “pessoa”, até mesmo na ausência dele.
O próximo poema, “Sem”, exibe uma inflexão mais filosófica.
O texto reflete sobre a morte. “A gente morre de uma vez? / sem lembrar de ontem? / sem falar adeus?” As perguntas,
naturalmente, ficam no ar. O eu poético não oferece respostas e também percebe que não há quem saiba exatamente o
que dizer a respeito delas.
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Mais adiante, vêm duas partes de um poema chamado “Sete Canções de Lisboa”. Escolhi as duas porque tratam de
figuras muito próximas de quem gosta de poesia. Aí estão “1. Camões” e “2. Pessoa”.
No texto dedicado a Camões, o autor se empolga ao visitar o túmulo do grande lusíada no Mosteiro dos Jerônimos e o
chama de “gênio que inventou / o português”. E, na condição de xará do bardo, curva-se como sendo
“outro Luís”, “o menor de todos / aos teus pés”.
Em “2. Pessoa”, o poema assume a melancolia do fado, uma “tristeza que cozinha o fel”. O final
é também em ritmo de louvação: “Ó Pessoa, não é sem razão / que o fado é a alma de Lisboa”.
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No poema “Três”, o poeta se põe a procurar, hoje, um “jovem / e promissor poeta”. Busca um novo Arthur
Rimbaud, um atual Mário Faustino ou uma rediviva Ana Cristina Cesar — aparentemente, poetas de sua afeição.
O texto conclui que a pesquisa é inútil: “não se encontra / nenhum”.
Talvez seja o caso de lembrar, mais uma vez, o outro Luís: “Mudam-se os tempos, mudam-se as
vontades”. E mais: na cruel e verdadeira dialética camoniana, também se modificam as formas de mudança.
Então, de fato não adianta buscar novos jovens, por exemplo: Bandeira, Drummond, Cecília.
A não ser com uma generosa dose de mutatis mutandis.
No último texto ao lado, “Oceano”, o poeta costura observações sobre seres marinhos, como camarões, polvos
e baleias. E conclui suas divagações de forma irônica. Para ele, o deus romano dos mares, não está nem aí
para os habitantes de seus domínios: “Netuno diverte-se com sardinhas / que um dia serão / Coqueiro ou
Gomes da Costa”. Da alta esfera do Olimpo para as prosaicas prateleiras do supermercado.
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É possível que o leitor esteja perguntando: “Mas por que o livro se chama Raso Quase Fundo?” A resposta é simples.
No poema introdutório do volume, Luís Araujo Pereira apresenta o que ele chama de “descompasso”: “a maior parte /
dos meus poemas / é rasa / (...) poucos / porém / são fundos”.
Também no início do livro, o autor transcreve uma charge da
cartunista Laerte Coutinho, na qual uma mulher diz: “Eu miro no raso...
e acerto no fundo”. Este é, portanto, o substrato com o qual pretende
trabalhar seus poemas. Raso, quase fundo.
Um abraço, e até a próxima,
Carlos Machado
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LANÇAMENTO
O impressor
• Isabel Maria Sampaio Oliveira Lima
A Editora Confraria do Vento e a autora Isabel Maria Sampaio Oliveira Lima convidam para
o lançamento da coletânea de poemas Quando Nascente.
Quando: terça-feira, 28/04/2026, das 17h às 20h.
Onde: Livraria Escariz - Rua Fernão de Magalhães, 2992 - Shopping Barra, L2, Salvador-BA.
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