Amigas e amigos,
O poeta mineiro Júlio Polidoro esteve aqui nesta página, pela primeira vez, em agosto de 2005, exatamente 21 anos atrás.
Retorna agora, graças a dois lançamentos recentes: os livros Tríade (edição do Autor, 2025) e Daroês (Caravana, 2024).
Nascido em Juiz de Fora (1959-), Júlio Polidoro estudou filosofia na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Nos anos 1980,
participou do grupo juiz-forano que editou o folheto Abre Alas e a revista D'Lira, ao lado de nomes como
Edimilson de Almeida Pereira,
Fernando Fábio Fiorese Furtado,
Iacyr Anderson Freitas e Luiz Ruffato.
Polidoro lançou os seguintes livros de poesia: Treze Poemas Essenciais (1979); Pequenos Assaltos (1990);
Orla dos Signos (2001); Outro Sol (2004); Daroês (Caravana, 2024); e Tríade (Edição do Autor, 2025).
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A pequena amostra de poemas ao lado inclui quatro poemas de Tríade e dois de Daroês. Comecemos a leitura.
O texto “Uma Menina” representa bem a dicção poética de Polidoro. Inicialmente, fala de uma brisa que sopra e “deixa um gosto /
de saudade”. Em seguida, lembra a menina, “que ia pegar as nuvens / para comê-las”. Daí avança para uma reflexão sobre a
natureza da felicidade. Lirismo puro, raciocínios fluidos e leves, como “flocos de nácar e sonho”.
Em “Eu Sei”, Polidoro envereda pelos territórios incertos daquilo que alguns poetas chamam “os desvãos de mim”. Ele anuncia:
“Eu sei que existe em mim um quarto / contíguo, onde já estive / e aonde às vezes vou”. O eu poético admite que, ao visitar
essa dependência imprecisa, de repente está lá e, logo depois, não está mais.
Na última estrofe, o sujeito da ação não é mais a primeira pessoa. “Quando me dou conta”(...), “do quarto já saiu” (...)
“como / aquele que nem sabe como entrou”. Surge aí a figura do Outro, uma terceira pessoa que opera em lugar do eu.
Ao escrever estas notas, pensei, por um momento, que havia transcrito o verso com erro. Só depois percebi a astúcia:
Como já disse Arthur Rimbaud, “eu é um outro”.
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Vem a seguir o soneto “Outro Epitáfio”. Aqui, o poeta, com graça e ironia, imagina o próprio epitáfio e brinca com o
próprio nome, Júlio César Polidoro: “foi césar / sem ser dono do império”. Além disso,
faz questão de declarar que ali jaz uma
criança, embora muitos possam ter pensado nela como um hierofante, velho sacerdote greco-romano, alto conhecedor de
mistérios e ciências ocultas. Enfim, um “escravo de jó / que jogava caxangá”. Infante brilhante.
Agora, no poema “Talvez”, o último do livro Tríade, de fato entra em cena o hierofante, discorrendo sobre o
galope das horas: “até que a pálpebra sele / o que o olhar testemunha / e o cavaleiro desvele / outro trotar,
sem cavalo”. Enfim, as ocultas ciências do outro lado da vida, se é que há esse outro lado.
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Passamos aos dois poemas do livro Daroês. Antes de tudo, é bom descobrir o que significa “daroês” (eu também
não sabia). Trata-se de um religioso muçulmano que faz votos de pobreza, humildade e castidade. Também é conhecido
como “dervis” ou “dervixe”.
O soneto “Tributo ao Silêncio” contém reflexões bem próprias de um daroês. O religioso sofre com o que fala, mas
sente que não pode deixar de falar. “Eu queria dizer, bem, o que sinto, / quando digo, porém, eu sei que minto, /
misturando razão com sentimento”.
Por fim, em “O Que Persigo” continuam as dúvidas existenciais do monge muçulmano: “faço promessas que não cumpro /
cumpro promessas que não faço / separo agora o que ajunto / ajunto agora o que separo”.
Um abraço, e até a próxima,
Carlos Machado
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LANÇAMENTO
Relógio sem rosto
• Carlos Machado
A União Brasileira de Escritores (UBE), a Editora Patuá e o autor Carlos Machado
convidam para o lançamento da coletânea de poemas Relógio sem Rosto. Este livro foi o
vencedor do Prêmio Claudio Willer de Poesia 2025, da UBE.
Quando: quinta-feira, 06/08/2026, das 19h às 22h.
Onde: Livraria Patuscada - Rua Luís Murat, 40 - Vila Madalena - CEP 05436-050, São Paulo-SP.
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