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Augusto de Campos
Caros,
Já apresentei neste boletim poemas traduzidos com invulgar criatividade e
perícia pelo poeta paulistano Augusto de Campos (1931-). Chega, agora, a
oportunidade de mostrar trabalhos do próprio Augusto.
Como se sabe, Augusto de Campos, junto com seu irmão
Haroldo de Campos e o amigo Décio
Pignatari, é fundador da poesia concreta, o movimento literário que mais deu o
que falar dos anos 50 até hoje. Baseados na ruptura com o verso e na exploração
de recursos "verbivocovisuais", os poetas concretos criaram trabalhos de
natureza icônica, nos quais o poema tende a ser uma representação objetiva da
própria coisa de que trata.
Um exemplo dessa concretude é dado pelo poema "pluvial/fluvial", escrito nos
primeiros tempos do movimento. Nele, a disposição tipográfica das palavras
"pluvial" e "fluvial" mimetizam a chuva e, ao mesmo tempo, o rio formado pela
água da chuva.
Muitos poemas escritos nessa fase — anos 60 e 70 —, especialmente os de Augusto
e de Pignatari, evoluem para composições em que desaparecem a palavra e mesmo os
sinais alfabéticos. São criações que aproximam a poesia concreta da arte gráfica, da pintura
e da escultura.
Os outros poemas ao lado são dos anos 80 e 90. Neles já se nota um retorno ao
verso e à
sintaxe, disfarçado por artifícios tipográficos. O poema "pós-tudo", de 1984,
contém uma espécie de balanço do trabalho de Augusto, ou da própria poesia
concreta.
Augusto de Campos também desenvolveu criações que envolvem dobraduras de papel ("poemóbiles")
e poemas que utilizam computação gráfica, animações sonorizadas e holografias.
Alguns desses objetos se movimentam conforme a interação do leitor.
Logicamente, nenhum
desses itens multimídia poderia ser reproduzido aqui. Já foi difícil manter a
fidelidade aos poemas transcritos ao lado. Para isso, tive de recorrer ao
scanner. O que você vê ao lado são fac-símiles dos poemas.
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Não há dúvida de que a poesia concreta exerceu (e
ainda exerce) ampla influência na poesia e também nas letras de música popular.
Na poesia, boa parcela dos poetas de 70 para cá exibem a marca dos Campos. Na
música, a maior influência se nota no trabalho dos tropicalistas, em especial no
de Caetano Veloso, que também musicou poemas de Augusto e de Haroldo de Campos.
Atualmente, a poesia concreta já não projeta tanta influência. O próprio Haroldo
de Campos, falecido em 2003, dizia que já não escrevia poesia concreta.
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Além do trabalho poético, Campos também desenvolve intensa atividade de tradução
e produção de ensaios.
Para ver mais poemas de Augusto de Campos e obter mais dados sobre seus ensaios
e traduções,
visite o
site oficial
do poeta.
Um abraço, e até a próxima.
Carlos Machado
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Poesia pós-tudo
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Augusto de Campos |
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pluvial / fluvial (1954-1960)

pós-tudo (1984)

nãomevendo (1988)

pós-soneto (1990/91)

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